
Como será que minha família vai reagir? Será que meus amigos vão continuar sendo meus amigos? As pessoas vão me tratar diferente agora?
Essas e muitas outras questões são muito comuns na mente daqueles que estão refletindo sobre sua própria sexualidade e ainda não conseguiram se assumir completamente. Para tentar ajudar o maior número de pessoas, o sociólogo, educador e militante catarinense Roberto Warken criou recentemente uma comunidade no Orkut. A ideia é que temas relativos à sexualidade e seus desdobramentos sejam respondidos não só pelo educador, mas também por todos os membros.
De acordo com Warken, a ideia surgiu ainda nos anos 90, com a participação em listas de discussão sobre temas relativos aos homossexuais. O sociólogo diz que na época recebia muitas perguntas, não só sobre orientação sexual, mas também afetivo-amorosas. Outras precisavam ser respondidas por profissionais como psicólogos e psiquiatras.
Após uma conversa com o pessoal do Centro de Valorização da Vida de Florianópolis, a comunidade finalmente tomou forma. "Todos os participantes se cadastram e dão suportes uns aos outros, com pouca ou nenhuma intermediação minha. As pessoas ainda estão reticentes mas aplaudiram a iniciativa", diz Warken. Vale ressaltar que para aqueles que não desejam se identificar a comunidade aceita qualquer membro, mesmo sendo um perfil fake.
As dúvidas mais comuns que surgem entre LGBTs são sobre o sofrimento enfrentado no ambiente familiar e escolar e assédios morais que muitas vezes acabam empurrando o homossexual para um comportamento muitas vezes destrutivo, usando do álcool e das drogas. "As pessoas acabam desenvolvendo sentimentos de perda, de inutilidade, de não pertencimento. Geralmente recomendo a independência financeira para as pessoas poderem se distanciar dos focos do problema, e pelo efeito cascata, ao eliminar-se a causa, os problemas começam a desaparecer. Há o retorno da sensação de segurança, felicidade, empoderamento sobre a própria vida com melhora na auto-estima. Muitas pessoas acabam descobrindo que o problema não é tão grande assim, o que facilita a saída do armário, participação em ONG's e o encontro com seus iguais", reflete o sociólogo.
A comunidade do Aconselhamento LGBT ainda está em crescimento e o criador acredita que a ajuda de uma equipe interdisciplinar e apoio financeiro de instituições seria fundamental para a ampliação da ideia.
4 comentários:
Que bacana a ideia. Muita gente precisa de conselhos nessa hora e não tem ninguem com quem conversar direito. Essa comunidade vai bombar de gente logo logo.
Mara a ideia. Arrasou. Pelo menos essa tem um propósito, diferente de muitas comunidades que são criadas.
É uma forma interessante de ajudar, ainda mais com a facilidade da internet de vc não precisar ter de mostrar seu rosto nem dizer seu nome.
Uma boa forma de tirar as dúvidas de maneira rápida e segura.
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