sexta-feira, 20 de março de 2009

Comunidade para aconselhamento LGBT


Como será que minha família vai reagir? Será que meus amigos vão continuar sendo meus amigos? As pessoas vão me tratar diferente agora?


Essas e muitas outras questões são muito comuns na mente daqueles que estão refletindo sobre sua própria sexualidade e ainda não conseguiram se assumir completamente. Para tentar ajudar o maior número de pessoas, o sociólogo, educador e militante catarinense Roberto Warken criou recentemente uma comunidade no Orkut. A ideia é que temas relativos à sexualidade e seus desdobramentos sejam respondidos não só pelo educador, mas também por todos os membros.

De acordo com Warken, a ideia surgiu ainda nos anos 90, com a participação em listas de discussão sobre temas relativos aos homossexuais. O sociólogo diz que na época recebia muitas perguntas, não só sobre orientação sexual, mas também afetivo-amorosas. Outras precisavam ser respondidas por profissionais como psicólogos e psiquiatras.

Após uma conversa com o pessoal do Centro de Valorização da Vida de Florianópolis, a comunidade finalmente tomou forma. "Todos os participantes se cadastram e dão suportes uns aos outros, com pouca ou nenhuma intermediação minha. As pessoas ainda estão reticentes mas aplaudiram a iniciativa", diz Warken. Vale ressaltar que para aqueles que não desejam se identificar a comunidade aceita qualquer membro, mesmo sendo um perfil fake.

As dúvidas mais comuns que surgem entre LGBTs são sobre o sofrimento enfrentado no ambiente familiar e escolar e assédios morais que muitas vezes acabam empurrando o homossexual para um comportamento muitas vezes destrutivo, usando do álcool e das drogas. "As pessoas acabam desenvolvendo sentimentos de perda, de inutilidade, de não pertencimento. Geralmente recomendo a independência financeira para as pessoas poderem se distanciar dos focos do problema, e pelo efeito cascata, ao eliminar-se a causa, os problemas começam a desaparecer. Há o retorno da sensação de segurança, felicidade, empoderamento sobre a própria vida com melhora na auto-estima. Muitas pessoas acabam descobrindo que o problema não é tão grande assim, o que facilita a saída do armário, participação em ONG's e o encontro com seus iguais", reflete o sociólogo.

A comunidade do Aconselhamento LGBT ainda está em crescimento e o criador acredita que a ajuda de uma equipe interdisciplinar e apoio financeiro de instituições seria fundamental para a ampliação da ideia.

4 comentários:

Arnaldo Gusmão disse...

Que bacana a ideia. Muita gente precisa de conselhos nessa hora e não tem ninguem com quem conversar direito. Essa comunidade vai bombar de gente logo logo.

Alex Silva disse...

Mara a ideia. Arrasou. Pelo menos essa tem um propósito, diferente de muitas comunidades que são criadas.

Ana Cardoso disse...

É uma forma interessante de ajudar, ainda mais com a facilidade da internet de vc não precisar ter de mostrar seu rosto nem dizer seu nome.

Diego Alves disse...

Uma boa forma de tirar as dúvidas de maneira rápida e segura.